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Precatórios
Fonte: Gazera do Povo
Mais
uma empresa paranaense deve ser beneficiada pelo novo entendimento do
Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) a respeito do uso de precatórios
para a quitação de dívidas tributárias. No começo deste mês, o Órgão
Especial do TJ decidiu a favor da Andaraki Calçados. Agora, a Panneli
Madeiras, com sede em Guaíra, espera o julgamento de seu processo. O
relator já indicou que é favorável ao pedido da empresa.
O
uso de precatórios para quitar dívidas de impostos se ampliou na medida
em que estados e municípios deixaram de cumprir com suas obrigações. Os
credores negociam seus papéis, muitas vezes abaixo do valor de face,
por não saberem quando receberiam dos estados e municípios.
As empresas, no entanto, encontram dificuldades para quitar suas
dívidas, pois as secretarias de Fazenda não aceitam a troca. Resta a
disputa judicial. Para o proprietário da Panneli Madeiras, Carlos
Eduardo Zeballos Rolon, a restrição é injusta. “Em um primeiro momento
o governante não paga o precatório. E, depois, não quer receber um
papel próprio como abate de dívidas. Se uma ordem judicial não é
obedecida por quem deve dar o exemplo aos cidadãos, que país é esse?”
Rolon se mostra ainda mais indignado porque não adquiriu o
precatório no mercado paralelo. Ele negociou diretamente com uma prima,
que se tornou herdeira de um papel de R$ 3 milhões. “Meu tio teve um
imóvel desapropriado. Esperou, no total, 20 anos. Morreu sem receber
aquilo que tinha direito”, conta.
Para o empresário, o mecanismo de leilão dos precatórios, que consta
na PEC 351/2009, em trâmite na Câmara dos Deputados, é muito danoso ao
credor. Por meio dele, teriam preferência para receber os credores que
oferecessem os menores descontos aos estados e municípios.
“Beira ao absurdo. Quer dizer que a Justiça analisa tudo e, depois
que ela emite a ordem de pague-se determinando valor, o Executivo ainda
quer fazer um leilão oferecendo o quanto quiser? Isso inverte todos os
pressupostos de tranquilidade jurídica que qualquer relação comercial e
social deve ter.”
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), membro da comissão
especial que analisa a PEC, é contra os leilões. Ele apresentou
sugestões de modificações ao parecer do relator Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), como a extinção dessa ferramenta, a redução do prazo de
pagamento de 15 para 10 anos, entre outras. Mas ele diz que o ideal
mesmo seria a federalização dos títulos. “Essa seria a solução
definitiva.”